Abre Campo... Muitos campos se abrem em minha alma, porque aqui onde estou agora, quase nada é natural. Outrora segui Entre Rios de Minas esperando embarcação veloz, buscando a direção da Abadia Dos Dourados, para que eu pudesse te ver Açucena em flor.
Águas Formosas, Águas Vermelhas, não importava... Tudo fazia bem. Tudo vinha dessa Água Boa, que não era lagoa da Bahia, mas escondida Abaeté, entre flores.
Florescia em Minas uma cidade, muitas... Além Paraíba fazia correr o rio, mostrando que o povo concordava em ver o mapa delineado em verde escuro, à moda de barrancos e ribeiras. Vamos além... Era Alvorada de Minas que me acordava, enquanto cantava a Araponga, lá pelos lados distantes, onde nunca habitei. Eu teimava em ser pássaro, em ser Pomba, talvez... Próxima de mim Barbacena me falava das rosas, íngremes ladeiras, frio com cor de Capim Branco morro acima... E eu amanhecia em Belo Horizonte, ou anoitecia no Belo Vale, onde minha vista não alcançava, seguindo o destino do Belo Oriente, que acenaria para mim, assim que eu sentisse perfumes exóticos.
Enquanto contavam-se estrelas, tu visitavas Cataguases. Querias o sono no Bom Jesus do Galho, embalado em árvores, bem junto do Buritizeiro. Mulheres de Minas têm Boa Esperança... Lavam à beira das águas, alvejam no rio Sem-Peixe, em Biquinhas, em Bicas barrocas, alvuras e azuis que eu nunca soube encontrar na Borda da Mata.
Melhor fizeram os pássaros e as abelhas, tão diferentes de mim, que trataram de voar em pleno anil. Tanto fazia, já que eu tinha me desviado na distante metrópole, onde pouco se vislumbra o céu... Eu precisava de Bom Repouso, enquanto meus olhos vissem o Bonito de Minas na precisão dos meus óculos, nos reflexos da Cachoeira da Mata.
Tu jogaste tuas Caldas adocicadas sobre o Campo Florido e cascatas. Areados, a reluzirem lá dos altares do Alto da Capelinha, que é de Cedro de Abaeté, onde eu fazia as minhas preces. Ergueste, silenciosamente, teus Oratórios.
Flamejavam Cristais, Diamantina, Esmeraldas e o que se agregava ao meu coração não eram pedras preciosas; eram as Dores do Turvo, que impunham o luto da nostalgia. Eu me perdia na Serra da Saudade... Turvo era o riacho, depois das chuvas do coração aflito.
Tu me disseste que era preciso saber viver; esperaste por mim... Espera Feliz! Ordenavas... Que eu te ame para sempre.
Fortuna de Minas, tu bem me prometeste um Porto Firme. Promessas não... Juramento! Sei que tu guardaste tesouros no fundo da Lagoa Dourada, ou da Lagoa de Prata, onde eu pudesse garimpar o amor.
Liberdade, Liberdade, ainda que tardia. Era o que náufragos do Mar de Espanha esperavam, porque não existiam fronteiras, onde pensavas erigir teus Arcos, ou uma Nova Ponte. Entre as distâncias dos nossos olhos apaixonados, tu te ergueste com determinação, com força Matutina, como a estrela da cidade. Entre Folhas tu despertaste buscando brilhos para me presentear. Quem sabe eu quisesse um anel de Ouro Preto, ou de Pedra Azul, Turmalina; anéis que não se quebram, só para me falares do amor que tu me tinhas... e que não se acabou.
Da Porteirinha eu avistava a Ponte Nova que tu ergueste sobre águas nos meus sonhos, contornando a Mata Verde, só para voltares para mim teus Olhos d’Água, que eram infinitamente tristes.
Se tu pensaste que eu precisava descansar, poupando-me de tanta dor, em tempo avisar-te-ia: antes, bem antes do Pouso Alegre nos distantes Prados, eu navegava em Rio Manso, Rio Novo, Rio Doce, Rio Acima e rio abaixo... Teimava em ser peixe.
Rio Espera, deixa-me confessar...
Ah! Rio Pomba... Conheceste todos os meus segredos e assim fiquei a Descoberto, na tua distante geografia. Abandonei-te. Santa Bárbara que me proteja dos raios e dos trovões nas noites de tempestade; por isto persigno-me, faço o sinal da Santa Cruz do Escalvado, clamo por Perdões, por Santa Rosa da Serra.
Três Corações eu precisaria para te amar tanto, porque sempre tive Soledade de Minas, ainda e para sempre Viçosa.
Minas! Dia e noite brilhará a Estrela d’Alva... Quanta Luz!
Valéria Aureo